Não sei se é dos medicamentos que ando a tomar, até porque isto seria considerado uma reincidência, mas ando com uma vontade enorme de aprender a dançar tango. Julgo que este devaneio é mais uma facada nesta tentativa de ser hipster, mas não consigo evitar, perdoem-me.
Eu sei que tenho jeito para esta coisa das danças. Quando ia de férias para destinos tropicais, metia-me sempre naquelas aulas que eram dadas a meio das manhãs e das tardes, geralmente perto da piscina, por homens musculados ou mulheres boazonas. Era sempre a miúda que decorava os passos todos à primeira e me ficava a rir da falta de jeito dos outros. Sempre tive pena de não explorarem o conceito de dançar a pares, mas pronto, não se podia ter tudo, e eu na época contentava-me em fixar os passos para, no outro dia, continuar a fazer um brilharete e esperar que alguém me viesse chamar para dançar sob o olhar ameaçador do meu pai. Nunca aconteceu. Na verdade, aconteceu, mas era um senhor que tinha quase o dobro do meu tamanho e me arrancou da cadeira do bar sem pedir sequer com licença, não correu muito bem, como devem imaginar.
Portanto, vendo bem as coisas, não só quero aprender, como quero um par à altura do Al Pacino, mas que veja por onde anda e não tenha uma arma carregada, se puder ser, claro.
Acho que tomei uma excelente decisão em deixar o Crime e Castigo para o pós-operatório (ainda que não tenha sido tomada com este propósito inicialmente), algo me diz que o vou adorar. Vá, é só um dente.
Leitmotif, dos dredg, de 1998, ano em que 56k de internet bastavam e que era ano bom para entrar para a universidade, segundo dizem. Um pequeno tesouro que vinha numa embalagem de cartão, com instrumentais hipnotizantes.
O que eu mais gostei foi do ar do gajo tatuado e com t-shirt do metal que estava na caixa quando me viu com o LP para pagar. Fez-me aquela cara tipo "lá vem mais um hipster comprar um vinil de Godspeed ou Zola Jesus" mas depois, quando pega no disco e percebe o que é, faz um tremendo ar de aprovação. Hoje foi o dia em que troquei oficialmente de loja de discos preferida.
O troll anda a deprimir por causa dos mitos que caíram por terra. A Alexandra anda a pensar no header do Pipoco há semanas. O Pipoco continua a deixar-nos confusos quanto ao facto de ter 30 ou 50 anos. A Luna descobriu como vingar-se das correcções do chefe, agora falta-lhe corrigir o tempo em Leiden. O Mak ainda vai fazer um dueto improvável com um desses malucos da esquina do Saldanha. O Ricardo anda a jantar em Odivelas. A São João quer organizar uma flash mob de bloggers, mas o mais certo era aparecer um hater para fazer das suas enquanto, distraídos, estes olham pelo canto do olho, tentando fazer um match com as fotos do Facebook que já há muito descobriram. Nós? Estamos na Lusófona a aprender a ser hipsters.
Sendo-se ou não fã do Mantorras, é impossível ignorar que, de cada vez que ele se preparava para entrar em campo, o delírio se instalava e, no fundo, é isto que o futebol tem de espectacular. Não são as guerras entre clubes, são os momentos de êxtase quando marcamos golos e quando vemos a equipa abraçada, quando está um estádio inteiro de pé a aplaudir, a cantar ou a gritar de felicidade. Quando a descarga de adrenalina é tão grande que sentimos os pêlos eriçados e os olhos embaciados.
Ainda me lembro do Preud'Homme a dar a volta de despedida no antigo estádio. Do Rui Costa no meio do relvado a despedir-se emocionado. Hoje é a vez do Mantorras, portanto, como dizia o outro, deixem-no jogar (pela última vez).
Eu por ti ia ao Alive. Eu, por ti, ia a todo o lado . Eu sei, eu sei, tu sabes que eu até tenho medo de andar de avião mas eu por ti andava de avião. As vezes que fossem precisas. Eventualmente os ataques de pânico desapareciam. Acho eu. Ouve-se a tua voz na minha música preferida dos últimos anos, o Alex Turner não é estúpido, eu se tivesse uma banda também te convidava, arranjava a mais estúpida das desculpas só para estar na tua presença (ver Jack Black e os Dead Weather como exemplo).
Eu falava-te do realismo russo e tu cantavas para mim aquelas coisas que tu cantas. E seríamos felizes, Alison, eu e tu, seríamos a inveja de tantos e tantos casais por essa blogoesfera toda. Eu até te deixava criar um baby blog e tudo, só para veres o quanto gosto de ti. Depois, quando fizesses anos, dava-te um pug e tu podias passear com o teu pug (podias chamar-lhe Humbug e tudo) e os teus óculos de massa pelo Chiado, e pegava-lo ao colo porque ele ia ter medo dos cães dos ocupas ou lá o que são aqueles gajos malabaristas que mandam bolas de sabão gigantes para cima das pessoas, os meliantes, o sabão que eles usam ou lá o que é mancha, e tu não ias querer o teu cãozinho nem os teus Vans cheios de sabão.
E eu depois tirava-te fotos com o meu iphone que tu me irias oferecer por fazermos um mês namoro, e ia meter nojo aos meus amigos no facebook e ia ter likes dos gajos do indie. Esses hipsters invejosos.
Conheci esta banda por ter sido produzida pelo teclista de Type O Negative, sendo que a baixista desta banda também cantava no October Rust. Lembro-me de ter comprado este cd em Lagos. Tinha ido passar férias à Zambujeira do Mar (primeira e única vez) e de ter ido até Lagos de propósito para comprar o Follow The Leader dos Korn (o que é um motivo perfeitamente válido para fazer mais de cem quilómetros, o meu pai adorou como calculam). E, quando já estava com o cd de Korn coladinho ao peito para nunca mais o largar (era a banda preferida da altura), vi este cd lá perdido. Conhecia uma música da MTV (sim, eu sou tão antigo que me lembro da MTV passar música, imagine-se), e decidi comprar também. E não me arrependi.